Em poesia, ensaio e cartas, Vinícius Meneses escreve uma travessia: do Cabula, bairro periférico de Salvador, à cadeira de CEO em São Paulo. Pelo caminho — o garoto atrás do balcão, a escola onde quase ninguém se parecia com ele, a primeira camisa social, a primeira reunião onde foi o único, a filha, o cansaço, o orgulho.
Pato no Galinheiro fala de racismo, classe, paternidade e pertencimento. Mas faz isso do jeito que livro bom faz: com símbolos, imagens, repetições, cotidiano. Sem cartilha. Sem panfleto. Sem prefácio que peça licença.
A capa — um portão de ferro forjado que evoca a sankofa, símbolo africano do “voltar para buscar” — antecipa a leitura. Que se faz devagar. Como poesia pede. Como vida pede.
Edição impressa · Editora Benvinda · 130 páginas